quarta-feira, 19 de maio de 2010

Partida



Escuto no silêncio das palavras o som abafado dos teus passos a afastarem-se de mim....

fico na posição ventral com as mãos por cima cabeça e de queixo colado ao meu peito
soltando gotículas amargas de uma  desvanecida história de amor.

                                                                            Tu...

Que foste a minha razão de viver,
a luz que me aquecia, derretia nos teus braços...

o sorriso de cada reencontro nosso,
em que os minutos pareciam horas e as horas em dias...

perdido... para sempre!

Não! Não...

Vagas interiores embatem-se em mim,
como se fosse absorvido por elas,
num remoínho de sensações onde ecoa o teu nome

PORQUÊÊê...... porquêêêêê...... eu?! Porquê....? 

Quero parar de pensar em ti,
quero parar de sentir o que sinto
 apenas quero....

estar só!
Para poder sonhar que tudo isto é um pesadelo no qual vou acordar
e quando o fizer não me irei lembrar de nada

Que existes...
ao meu lado,
 existes....

que tudo era uma partida....


abri meus olhos embaciados com o som da porta a fechar-se lentamente,
quase sem ruído....
 onde teus passos tornavam-se cada vez mais e mais fracos..
longínquos...




                                                                                         (soluçei) agarrado ao meu silêncio

                                             
                                                                                                                      com a  tua partida....

(Este post é dedicado à Pawinha, pois o título e música foi um desafio que aceitei em fazer)

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